Existe algo profundamente afetivo nos doces de um casamento. Eles carregam memórias, despertam sensações e muitas vezes se tornam um dos detalhes mais lembrados pelos convidados. Para Ingrid, confeiteira apaixonada por autenticidade e experiências sensoriais, a confeitaria vai muito além da estética ou do sabor: ela é uma forma de contar histórias.

Sua trajetória começou em 2017, ao lado da mãe, em uma produção artesanal de brownies chamada “Brownies da Lulu”. O que inicialmente nasceu como uma parceria familiar rapidamente revelou um talento criativo inquieto e uma vontade de ir além. Em 2023, Ingrid decidiu dar um passo maior e mergulhar no universo dos casamentos, percebendo que o mercado precisava de mais representatividade, personalidade e liberdade criativa.
“Quero que os meus doces sejam uma extensão da personalidade do casal, sem fórmulas prontas”, conta.
E talvez seja exatamente isso que torna seu trabalho tão singular. Ingrid não trabalha apenas com receitas; ela trabalha com identidade, sensações e significado. Cada doce nasce de uma conversa profunda com os casais, de um entendimento genuíno sobre quem eles são, suas referências afetivas e a energia que desejam transmitir no grande dia.
Sua confeitaria foge do óbvio. Apesar de valorizar a base clássica da pâtisserie, Ingrid gosta de provocar o paladar com combinações inesperadas e sofisticadas. Um exemplo? O doce de manjericão com morango, que surpreendeu convidados ao unir frescor, delicadeza e personalidade em uma única experiência.
Mas o que realmente chama atenção em sua trajetória é a maturidade profissional com que conduz seu trabalho. Sendo uma confeiteira jovem em um mercado altamente exigente, Ingrid precisou enfrentar o desafio de provar diariamente sua competência.
“No início, você sente que precisa se esforçar o dobro para ser levada a sério”, relembra.
Sua resposta veio através da excelência técnica, do profissionalismo rigoroso e de uma produção extremamente organizada. Metódica e detalhista, ela acredita que a segurança em um evento nasce do planejamento. Cada etapa é testada, revisada e construída com precisão para que, quando o casamento finalmente acontece, tudo flua de forma leve e impecável.
Mais do que doces bonitos, Ingrid cria experiências gastronômicas completas. Para ela, os doces fazem parte da narrativa visual e emocional da celebração. São um gesto de carinho com os convidados e também um reflexo da identidade do casal.
Entre as tendências que mais acredita atualmente está o chamado “luxury minimalism”: mesas mais limpas, sofisticadas e com foco absoluto no design do doce, sem excessos. Ao mesmo tempo, ela percebe uma busca crescente por personalização verdadeira, onde os casais deixam de seguir padrões prontos para construir elementos que realmente façam sentido para suas histórias.
Outro ponto que define sua essência é o acolhimento. Ingrid acredita que nenhum casal deveria sentir medo ou desconforto ao planejar o próprio casamento. Por isso, a inclusão e a representatividade são pilares centrais do seu ateliê, especialmente no atendimento a casais LGBTQIAPN+.
“Oferecer um espaço seguro onde o casal possa ser autêntico e celebrado é o que torna o meu ateliê um lugar de acolhimento real.”
Com sonhos ambiciosos para os próximos anos, Ingrid já planeja a expansão do ateliê até 2027, aumentando sua capacidade de produção sem perder aquilo que considera mais valioso: o atendimento personalizado e humano.
E quando questionada sobre qual projeto mais a marcará emocionalmente, ela responde com sinceridade e um brilho especial no olhar: seu próprio casamento.
Depois de anos adoçando histórias de amor, Ingrid sonha em viver o desafio mais simbólico da sua trajetória — criar o menu do seu próprio grande dia. Um momento que promete carregar toda a técnica, sensibilidade e verdade que transformaram sua confeitaria em muito mais do que doces: em memória afetiva.








