O CASTELO FOI APENAS O CENÁRIO: a verdadeira história de amor de Jonatas e Gleybson começou onze anos antes do altar

“Algumas histórias de amor acontecem por acaso. Outras parecem esperar o momento certo para acontecer. A de Jonatas e Gleybson talvez tenha sido escrita pelas duas possibilidades.”

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Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite.

Há quem espere reencontrar os amigos depois de uma semana cansativa. Há quem saia de casa em busca de música, de boas conversas ou simplesmente da sensação de estar vivo enquanto a cidade pulsa lá fora. Existem aqueles que sonham encontrar um grande amor e os que juram não estar procurando absolutamente ninguém.

Na noite de 4 de julho de 2026, enquanto o relógio avançava e o frio típico do inverno pernambucano abraçava a cidade de Sairé, dezenas de pessoas atravessavam os portões do Castelo Pergentino carregando uma expectativa diferente.

Elas não estavam ali para descobrir o que aquela noite lhes reservava.

Elas já sabiam.

Iam testemunhar uma história que levou onze anos para chegar até aquele altar.

As luzes revelavam uma arquitetura que parecia saída de um livro de contos. Os jardins cuidadosamente preparados conduziam os convidados até um cenário onde cada detalhe parecia conversar com a personalidade dos noivos. Nada era exagerado. Nada estava ali por acaso.

O castelo impressionava.

Mas, naquela noite, ele deixaria de ser o protagonista.

Porque existem lugares que ganham significado pelas pessoas que acolhem.

E aquele castelo jamais seria lembrado apenas por sua beleza.

Seria lembrado por ter sido o endereço de um dos “sins” mais emocionantes que seus corredores já testemunharam.

Antes mesmo da cerimônia começar, um pedido ecoou entre os convidados.

Que os celulares fossem guardados.

Pode parecer um detalhe simples, mas dizia muito sobre o que estava prestes a acontecer.

Nem toda memória cabe em uma fotografia.

Existem emoções que nenhuma câmera consegue registrar.

O brilho discreto dos olhos antes das lágrimas aparecerem.

O aperto involuntário das mãos.

A respiração suspensa enquanto alguém caminha em direção ao altar.

A alegria silenciosa de quem percebe que está vivendo um daqueles momentos que serão lembrados para sempre.

Naquela noite, Jonatas e Gleybson convidaram todos os presentes a fazer algo raro nos dias de hoje: estar verdadeiramente presentes.

Olhar.

Sentir.

Viver.

Porque algumas histórias merecem ser guardadas primeiro no coração.

Só depois na memória.

E a deles era uma dessas.


Se alguém dissesse, onze anos antes, que aqueles dois homens um dia se casariam dentro de um castelo, talvez eles mesmos dessem risada.

Não porque duvidassem do amor.

Mas porque conheciam bem o peso da realidade.

Eles sabiam que amar, para dois homens, muitas vezes significava caminhar por estradas diferentes daquelas sonhadas durante a infância.

Havia preconceitos.

Silêncios.

Medos.

Olhares atravessados.

E perguntas que casais heterossexuais raramente precisam responder.

Ainda assim, escolheram continuar.

Hoje, olhando para os dois diante do altar, é fácil acreditar que tudo aconteceu exatamente como deveria.

Mas as histórias mais bonitas nunca são construídas apenas pelos dias felizes.

São moldadas pelas escolhas feitas quando permanecer parece muito mais difícil do que partir.

E foi exatamente isso que transformou Jonatas e Gleybson em inspiração.

Não foi o castelo.

Não foram os trajes impecáveis.

Nem mesmo a beleza daquela celebração.

Foi a coragem.

A coragem de amar quando seria mais fácil esconder.

A coragem de esperar quando tudo parecia pedir pressa.

A coragem de continuar acreditando que existia espaço para os dois em um mundo que, durante muito tempo, insistiu em dizer o contrário.


Curiosamente, tudo começou da maneira mais improvável possível.

Não houve violinos.

Não existiu uma chuva de pétalas.

Muito menos aquela cena cinematográfica em que o tempo parece parar enquanto duas pessoas caminham lentamente uma em direção à outra.

A primeira página dessa história foi escrita em uma festa.

Música alta.

Luzes baixas.

Gente demais.

Cada pessoa ocupada demais vivendo sua própria noite para imaginar que, em algum canto daquele ambiente, uma história estava prestes a nascer.

Jonatas sequer procurava alguém.

Gleybson também não.

Cada um carregava consigo seus próprios planos, suas inseguranças, suas expectativas e as marcas de tudo aquilo que já havia vivido até então.

Às vezes imaginamos que os grandes amores chegam anunciando sua chegada.

Mas a vida raramente faz barulho quando decide mudar o nosso destino.

Ela apenas aproxima duas pessoas.

E espera.

Foi exatamente isso que aconteceu.

Em meio ao movimento da festa, Gleybson viu Jonatas.

Não soube explicar exatamente o motivo.

Talvez tenha sido o sorriso.

Talvez o jeito de caminhar.

Talvez aquela beleza que não chamava atenção apenas pela aparência, mas pela luz que parecia acompanhar aquele jovem.

O coração acelerou.

Mas a coragem não veio junto.

Existia um enorme oceano entre enxergar alguém e atravessar a distância que separava dois desconhecidos.

Então aconteceu algo que mudaria completamente aquela noite.

Uma amiga percebeu o que estava acontecendo.

Sem grandes discursos, ofereceu ajuda.

Atravessou o salão, aproximou-se de Jonatas e perguntou, com toda a naturalidade do mundo, onde ficava o banheiro.

Ele respondeu sem muita certeza.

Talvez fosse para a esquerda.

Talvez para a direita.

Os dois riram.

Então ela revelou o verdadeiro motivo da conversa.

— Meu amigo quer conhecer você.

Instintivamente, Jonatas olhou na direção indicada.

Do outro lado do salão, um rapaz esperava.

Não havia flores.

Não havia declarações.

Não existia nenhuma garantia de que aquilo daria certo.

Apenas dois olhares que finalmente se encontraram.

Há quem diga que certos encontros são coincidência.

Outros preferem chamar de destino.

Talvez não seja necessário escolher entre um e outro.

Porque, às vezes, o destino apenas encontra uma boa desculpa para parecer coincidência.

Gleybson sorriu.

Jonatas retribuiu.

Um aceno discreto atravessou o salão.

Foi o suficiente.

Os passos que até então pareciam impossíveis começaram a diminuir a distância entre eles.

Pela primeira vez.

Sem que nenhum dos dois pudesse imaginar que aqueles poucos metros mudariam completamente o restante de suas vidas.

Naquela noite aconteceu o primeiro beijo.

E, sem que percebessem, também nasceu uma promessa silenciosa.

Alguns amores chegam para durar uma estação.

Outros aparecem para transformar quem somos.

Jonatas e Gleybson ainda não sabiam.

Mas aquele beijo não era o começo de um romance.

Era o início de uma vida inteira.

Capítulo II — Quando amar também significou resistir

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Há histórias de amor que começam com um beijo.

A de Jonatas e Gleybson começou com um beijo.

Mas sobreviveu por causa de uma escolha.

Porque se apaixonar é um acontecimento.

Permanecer é uma decisão.

Naquela primeira noite, nada parecia complicado. O beijo aconteceu naturalmente, como se os dois já se conhecessem havia muito tempo. A conversa fluía sem esforço, os sorrisos apareciam sem que precisassem ser provocados e o tempo, aquele velho inimigo dos bons encontros, resolveu correr depressa demais.

Quando se despediram, nenhum dos dois tinha coragem de dizer em voz alta o que já começava a sentir.

Mas ambos voltaram para casa levando a mesma pergunta.

“Será que vou encontrá-lo de novo?”

O reencontro não demorou.

Depois veio outro.

E mais outro.

Sem perceber, eles passaram a medir os dias não pelas datas do calendário, mas pela distância que faltava até o próximo encontro.

Era como se cada conversa acrescentasse uma nova peça a um quebra-cabeça que, aos poucos, revelava algo maior do que uma paixão.

Revelava pertencimento.


Talvez por maturidade.

Talvez por medo de confundir encantamento com amor.

Talvez simplesmente porque ambos já sabiam que sentimentos importantes merecem tempo.

Os dois fizeram um acordo.

Esperariam três meses antes de assumir um namoro.

Queriam se conhecer melhor.

Descobrir quem existia além da euforia do começo.

Entender se aquele frio na barriga sobreviveria aos dias comuns.

Era uma decisão bonita.

Responsável.

Mas a vida raramente respeita os planos que fazemos para ela.

Antes que os três meses terminassem, alguém percebeu que eles estavam juntos.

E a notícia começou a circular.

O que ainda era delicado passou a ser observado.

Comentado.

Questionado.

De repente, aquele amor que crescia em silêncio precisou enfrentar o barulho do mundo.


Para muitos casais, assumir um relacionamento significa escolher uma foto bonita, publicar nas redes sociais e receber mensagens de carinho.

Para muitos casais LGBTQIA+, infelizmente, a realidade ainda é outra.

Antes da comemoração, muitas vezes chega o medo.

O medo de decepcionar.

O medo da rejeição.

O medo de perder pessoas importantes.

O medo de deixar de pertencer aos lugares onde sempre se sentiu seguro.

Esses medos não aparecem todos de uma vez.

Eles chegam devagar.

Entram sem pedir licença.

Sentam ao lado da felicidade.

E começam a fazer perguntas difíceis.

“Será que vale a pena?”

“Será que vamos suportar?”

“Será que o amor consegue vencer tudo isso?”

Jonatas e Gleybson também ouviram essas perguntas.

Não porque duvidassem do sentimento.

Mas porque conheciam o mundo.

E sabiam que, muitas vezes, amar exige muito mais do que apenas amar.


Foi então que a história conheceu seu primeiro inverno.

Não houve uma grande discussão.

Nem um adeus definitivo.

Apenas uma pausa.

Daquelas pausas que machucam justamente porque ninguém queria que elas existissem.

Separar-se parecia mais seguro.

Continuar parecia assustador.

Era como se dois corações profundamente apaixonados tentassem convencer um ao outro de que sentir menos poderia doer menos.

Nunca funciona.

Antes desse afastamento, porém, aconteceu algo que mudaria para sempre a história dos dois.

Pela primeira vez…

As palavras ganharam voz.

“Eu te amo.”

Não era uma declaração preparada.

Não existia roteiro.

Nem cenário perfeito.

Era apenas a verdade encontrando coragem para existir.

De um lado, um coração partido por imaginar que aquele poderia ser o fim.

Do outro, um homem tentando entender como enfrentaria uma batalha para a qual ninguém nunca o preparou.

Porque ninguém ensina uma pessoa LGBTQIA+ a lidar com o momento em que o amor encontra o preconceito.

Aprendemos vivendo.

E, muitas vezes, sobrevivendo.


Anos mais tarde, ao olhar para trás, aquela dor faria sentido.

Não porque tivesse sido necessária.

Nenhum preconceito é necessário.

Mas porque revelou algo que eles ainda não conheciam sobre si mesmos.

A força.

Existe uma frase de Ariano Suassuna que diz:

“Tudo o que é ruim de passar é bom de contar.”

Talvez porque o tempo tenha essa delicadeza de transformar cicatrizes em memória.

Naquele momento, porém, ainda era cedo demais para enxergar qualquer beleza.

Tudo doía.


Foi durante essa distância que Gleybson começou a fazer a pergunta mais importante de sua vida.

Não era se amava Jonatas.

Disso ele nunca duvidou.

A pergunta era outra.

“Quanto tempo mais vou esconder quem eu realmente sou?”

A resposta não veio de repente.

Chegou aos poucos.

Em pequenas coragens.

Na saudade.

Na ausência.

Na certeza de que nenhuma vida faz sentido quando precisamos esconder justamente aquilo que nos faz felizes.

Até que um dia ele compreendeu algo transformador.

Assumir aquele relacionamento não significava perder a própria liberdade.

Significava finalmente conquistá-la.

Durante muito tempo, a sociedade usou a expressão “sair do armário” para definir esse momento.

Mas talvez exista uma imagem ainda mais bonita.

Gleybson não saiu de lugar nenhum.

Ele apenas abriu a porta da própria vida.

E decidiu atravessá-la.

Sem pedir desculpas.

Sem pedir permissão.

Sem aceitar que o medo continuasse decidindo por ele.

Foi uma revolução silenciosa.

Mas, para quem a vive, revoluções silenciosas costumam ser as mais difíceis.


Quando os dois voltaram a se encontrar, algo havia mudado.

O brilho nos olhos continuava o mesmo.

O frio na barriga também.

Mas agora existia uma decisão.

Gleybson já não queria amar escondido.

Não queria apresentar Jonatas como um amigo.

Não queria construir uma vida baseada em meias verdades.

Queria viver plenamente.

Queria dizer, quando perguntassem:

“Sim.

Ele é meu namorado.”

Pode parecer uma frase simples.

Mas ela carregava anos de silêncio.

Anos de medo.

Anos de perguntas.

Pronunciar aquelas poucas palavras era, na verdade, uma declaração muito maior.

Era dizer ao mundo:

“Eu escolho viver a minha verdade.”

E, sem perceber, foi naquele momento — muito antes das alianças, muito antes do altar e muito antes do castelo — que Jonatas e Gleybson começaram a construir o casamento que celebrariam onze anos depois.

Porque casamentos inesquecíveis não nascem no dia da cerimônia.

Eles começam no instante em que duas pessoas decidem que nenhum medo será maior do que o amor que sentem uma pela outra.

E foi exatamente ali que os dois deixaram de ser apenas um casal apaixonado.

Passaram a ser parceiros de vida.

Companheiros de travessia.

O resto da história…

Seria construído um “sim” de cada vez.

Capítulo III — O amor também mora nos dias comuns

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Grandes histórias de amor costumam ser lembradas pelos momentos extraordinários.

O primeiro beijo.

O pedido de casamento.

A cerimônia.

A fotografia perfeita.

Mas existe uma verdade que poucos contam: o amor não é construído nos grandes acontecimentos.

Ele é construído no intervalo entre eles.

Nos dias comuns.

Nas mensagens enviadas durante a saudade.

Nas viagens feitas apenas para diminuir a distância.

Nos planos divididos antes mesmo de saber se seriam possíveis.

Foi nesses pequenos momentos que Jonatas e Gleybson construíram aquilo que, anos depois, seria celebrado diante de um castelo inteiro.


Depois de escolherem permanecer, eles descobriram que amar também significava aprender a lidar com a distância.

A vida nem sempre segue o roteiro que imaginamos.

Enquanto o coração queria proximidade, os caminhos profissionais e pessoais colocavam quilômetros entre os dois.

Mas existe algo que a distância não consegue separar quando duas pessoas realmente decidiram caminhar juntas:

a intenção.

Os finais de semana passaram a ter um significado especial.

Cada reencontro era uma pequena celebração.

Cada despedida carregava aquela mistura conhecida por tantos casais: a felicidade de ter vivido bons momentos e a tristeza de precisar esperar pelo próximo encontro.

Entre Recife e Bezerros, eles foram construindo uma história feita de presença.

Porque estar junto nem sempre significa estar no mesmo lugar.

Às vezes, estar junto significa continuar escolhendo alguém mesmo quando existe uma estrada no meio.


Depois veio uma nova fase.

Gleybson precisou morar em Brasília.

Mais uma vez, a vida colocava um teste diante deles.

Mas algo havia mudado.

Eles já não eram aqueles dois jovens tentando entender o que sentiam.

Agora eram dois homens que conheciam a força daquele sentimento.

Quando Jonatas ia visitá-lo, existia uma sensação diferente.

Era como se, por alguns dias, o mundo lá fora diminuísse o volume.

Naqueles momentos, eles não eram uma história que precisava ser explicada.

Não eram um casal que precisava justificar sua existência.

Eram simplesmente dois homens vivendo o amor.

Andando juntos.

Dividindo a rotina.

Criando memórias.

Experimentando uma liberdade que, para muitos casais, parece algo simples, mas para eles carregava um significado enorme.

O direito de existir.

O direito de amar sem medo.

O direito de segurar a mão de quem escolheram.


Mais tarde, outro capítulo se abriu.

Portugal entrou na história dos dois.

E, novamente, a distância apareceu.

Mas, dessa vez, ela encontrou um casal mais forte.

Porque existem desafios que chegam para separar.

E existem desafios que chegam para provar que a escolha foi certa.

Jonatas e Gleybson aprenderam que relacionamento não é sobre duas pessoas que nunca enfrentam dificuldades.

É sobre duas pessoas que enfrentam as dificuldades sabendo que existe alguém esperando do outro lado.


Ao longo desses anos, eles também descobriram que o amor não apagaria suas diferenças.

E ainda bem.

Porque talvez tenha sido justamente nelas que encontraram equilíbrio.

Gleybson sempre foi mais tranquilo.

Mais racional.

Aquele que analisa, organiza e pensa nos próximos passos.

Jonatas carrega a intensidade de quem nasceu para criar.

O artista.

O bailarino.

O homem que enxerga beleza onde muitos veem apenas detalhes.

Um tem os pés firmes no chão.

O outro tem a alma sempre pronta para voar.

E, em vez de tentarem mudar um ao outro, aprenderam algo muito mais bonito:

se admirar.


No começo, Gleybson não entendia completamente a relação de Jonatas com a dança.

Para ele, talvez fosse apenas uma atividade, uma paixão, um hobby.

Mas com o tempo percebeu que era muito mais.

A dança não era algo que Jonatas fazia.

Era parte de quem ele era.

Estava nos movimentos.

Na forma de enxergar o mundo.

Na maneira como transformava sentimentos em expressão.

Ele não apenas ocupava um palco.

Ele levava uma história para ele.

E Gleybson se tornou aquele que aplaudia cada voo.

Cada conquista.

Cada sonho realizado.

Porque amar alguém também é isso:

não tentar diminuir a luz do outro.

É ter orgulho dela.


Do outro lado, Jonatas também encontrou em Gleybson algo raro.

Um porto seguro.

Alguém cuja profissão revelava muito sobre sua essência.

O cuidado.

A paciência.

A capacidade de ouvir.

A delicadeza com as crianças.

A forma como se entrega ao que faz.

Gleybson era aquele tipo de pessoa que todos gostariam de ter por perto.

E talvez por isso tenha sido tão natural para Jonatas perceber que não havia apenas paixão.

Havia admiração.

E todo amor que atravessa o tempo precisa de admiração para continuar vivo.


Ao longo de onze anos, eles construíram uma vida que não cabia em uma única cidade.

Tinham histórias em lugares diferentes.

Memórias espalhadas pelo caminho.

Mas um mesmo propósito.

Serem família.

Porque família não é apenas o lugar onde nascemos.

É o lugar onde encontramos pertencimento.


Existe uma frase que resume muito do que eles construíram:

“O amor não é encontrar alguém perfeito. É encontrar alguém com quem as imperfeições fazem sentido.”

Jonatas e Gleybson nunca foram duas metades procurando completar uma à outra.

Eles já eram inteiros.

E justamente por isso conseguiram construir algo tão bonito.

Dois homens diferentes.

Duas trajetórias diferentes.

Duas personalidades diferentes.

Mas uma mesma escolha diária.

Continuar.


Antes do castelo.

Antes dos convidados.

Antes dos trajes.

Antes das fotografias.

Já existia um casamento.

Ele acontecia quando um cuidava do outro.

Quando um comemorava a conquista do outro.

Quando a saudade era enfrentada.

Quando os planos eram feitos.

Quando a vida apresentava obstáculos e a resposta continuava sendo:

“Vamos juntos.”


Talvez seja por isso que, quando finalmente decidiram marcar a cerimônia, ela não parecia uma promessa de futuro.

Parecia uma celebração do passado.

Eles não estavam começando uma história.

Estavam honrando todas as páginas que já haviam escrito.

O castelo seria o cenário.

Mas a verdadeira construção havia começado onze anos antes.

Em uma festa.

Com um olhar.

Um beijo.

E dois homens que tiveram coragem suficiente para acreditar que o amor deles merecia existir.

Capítulo IV — O castelo era apenas o cenário

Existem dias que são planejados durante meses.

E existem dias que, na verdade, são esperados durante uma vida inteira.

Para Jonatas e Gleybson, o dia 4 de julho de 2026 carregava esse significado.

Não era apenas a data escolhida para uma cerimônia.

Era o momento em que uma história, tantas vezes vivida em silêncio, finalmente poderia ser celebrada em voz alta.

Depois de onze anos dividindo sonhos, enfrentando distâncias, superando medos e escolhendo um ao outro todos os dias, eles finalmente diriam diante das pessoas mais importantes de suas vidas aquilo que já sabiam há muito tempo:

“Sim, é você.”


O cenário escolhido parecia pertencer a uma história escrita para aquele momento.

O Castelo Pergentino, em Sairé, Pernambuco, recebeu familiares e amigos para uma noite em que cada detalhe carregava uma intenção.

Não era apenas uma decoração.

Era uma extensão da personalidade dos noivos.

A sofisticação encontrava o acolhimento.

A elegância encontrava a emoção.

Tudo foi pensado para que as pessoas presentes não apenas assistissem a uma cerimônia, mas sentissem que faziam parte dela.

Porque, para Jonatas e Gleybson, aquele casamento nunca foi sobre mostrar uma conquista.

Era sobre compartilhar uma história.


Durante os preparativos, uma das maiores preocupações sempre foi fazer com que aquele momento representasse quem eles eram.

E isso apareceu em cada escolha.

Na decoração.

Na música.

Nos detalhes.

Na atmosfera criada.

Mas talvez nenhum elemento revelasse tanto a personalidade dos dois quanto os trajes.

Gleybson, sempre mais prático e com os pés no chão, chegou a sugerir algo mais simples: alugar um terno.

Uma ideia completamente compreensível.

Mas para Jonatas…

Não havia como.

Afinal, para alguém que dedicou a vida à dança, aos palcos e à construção de imagens através da arte, a roupa nunca foi apenas uma roupa.

Ela conta uma história.

Ela comunica.

Ela transforma.

Se em seus espetáculos o figurino sempre teve papel fundamental, como deixar de lado justamente o figurino do maior espetáculo de suas vidas?

O casamento.

A noite em que seriam protagonistas.

Eles não queriam apenas estar vestidos.

Queriam estar representados.


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E assim chegaram ao altar.

Dois homens.

Dois estilos.

Duas personalidades.

Dois caminhos que um dia pareciam separados, mas que encontraram o mesmo destino.

Existe até hoje uma pequena brincadeira entre eles sobre a cor dos trajes.

Verde ou marrom?

Como quase tudo na vida, cada um enxerga de uma maneira.

E talvez essa seja uma das maiores belezas da relação deles.

Eles não precisam enxergar tudo igual.

Precisam apenas respeitar o olhar um do outro.


A cerimônia começou com um pedido especial.

Que os celulares fossem guardados.

Que as pessoas olhassem.

Que sentissem.

Que vivessem.

Em uma época em que tantas experiências são imediatamente transformadas em registros, Jonatas e Gleybson escolheram algo diferente.

Escolheram presença.

Porque existem momentos que nenhuma fotografia consegue capturar completamente.

O silêncio antes do sim.

O sorriso nervoso.

A lágrima que escapa sem aviso.

O abraço apertado de quem sabe que está diante de algo raro.

Naquela noite, as pessoas não foram convidadas apenas para assistir.

Foram convidadas para testemunhar.


Quando as portas daquele castelo se abriram, não entraram apenas dois noivos.

Entraram todas as versões deles que existiram até aquele momento.

O jovem que teve medo.

O homem que encontrou coragem.

O casal que precisou enfrentar julgamentos.

Os dois que atravessaram quilômetros.

Os dois que aprenderam que amor não é apenas sobre estar junto nos dias fáceis.

É sobre permanecer nos dias difíceis.

Cada passo até o altar carregava uma lembrança.

Cada olhar carregava uma história.

Cada lágrima carregava anos.


Talvez seja por isso que aquela cerimônia tenha sido tão poderosa.

Porque não celebrava apenas uma união.

Celebrava uma conquista.

Durante muito tempo, casais como Jonatas e Gleybson precisaram lutar pelo direito de simplesmente imaginar um momento como aquele.

Dois homens de mãos dadas diante das pessoas que amam.

Dois homens sendo celebrados.

Dois homens mostrando que suas histórias também merecem ocupar os lugares mais bonitos.

E eles fizeram isso sem precisar provar nada a ninguém.

Apenas vivendo.


Uma das decisões mais bonitas do casal foi transformar todos os convidados em parte daquela história.

Em vez de enxergar algumas pessoas como especiais e outras como espectadoras, eles entenderam que cada presença tinha um significado.

Cada pessoa ali havia acompanhado algum capítulo.

Algumas viram o começo.

Outras ajudaram durante os desafios.

Outras chegaram depois, mas passaram a fazer parte da caminhada.

Todas carregavam uma lembrança.

Todas representavam amor.


Quando chegou o momento dos votos, talvez a maior promessa já tivesse sido feita muito antes.

Ela aconteceu na primeira vez em que escolheram ficar.

Na primeira vez em que enfrentaram uma dificuldade e decidiram conversar.

Na primeira vez em que a distância pareceu grande demais e mesmo assim fizeram planos.

Na primeira vez em que olharam um para o outro e entenderam:

“É aqui que eu quero estar.”


O casamento de Jonatas e Gleybson nos lembra de algo que parece simples, mas que muitas vezes esquecemos.

O amor não é uma linha reta.

Ele não acontece apenas nos momentos perfeitos.

Ele existe nas escolhas.

Na paciência.

Na reconstrução.

Na coragem.

No compromisso diário.

O amor verdadeiro não é aquele que nunca enfrenta tempestades.

É aquele que encontra abrigo no próprio companheiro.


Naquela noite, o Castelo Pergentino foi testemunha de algo muito maior do que uma cerimônia.

Foi testemunha de dois homens que, onze anos antes, se encontraram por acaso em uma festa.

Dois homens que não sabiam onde aquela história chegaria.

Dois homens que talvez nem imaginassem que um dia estariam ali.

Mas estavam.


E talvez essa seja a parte mais bonita dessa história.

O castelo não tornou o amor deles grandioso.

O amor deles tornou o castelo inesquecível.

Porque lugares são feitos de paredes.

Mas histórias são feitas de pessoas.

E a história de Jonatas e Gleybson prova que o maior luxo de um casamento não está na decoração mais bonita, no cenário mais impressionante ou na festa mais elegante.

Está na certeza de olhar para alguém e saber:

“Depois de tudo, eu ainda escolheria você.”


No fim daquela noite, quando as luzes começaram a se apagar e os convidados levaram consigo as lembranças daquele momento, uma coisa permanecia.

O mundo havia assistido a mais um casamento.

Mas aquelas pessoas presentes sabiam que tinham testemunhado algo maior.

Tinham visto uma história de coragem.

Uma história de resistência.

Uma história de amor.

E talvez, em algum lugar do mundo, uma pessoa LGBTQIA+ lendo essa matéria encontre nela exatamente aquilo que Jonatas e Gleybson encontraram um no outro:

a esperança de que existe um amor esperando para ser vivido.

Porque algumas histórias inspiram pela beleza.

Outras pela força.

A de Jonatas e Gleybson inspira porque reúne as duas coisas.

O castelo era apenas o cenário.
O amor sempre foi a verdadeira obra-prima.

Nossos agradecimentos a Vanessa Carvalho, a celebrante que soube contar essa historia de maneira tão genuína, nos dando todas as informações necessárias para que essa matéria fosse publicada e claro ao casal por ter compartilhado esse capítulo conosco para que a história deles continue inspirando pessoas ao redor do mundo.

Vanessa Carvalho está em nosso time de fornecedores, para saber mais sobre ela, acesse nosso post fixado no Instagram.

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