Gabi e Raquel: quando o amor encontra liberdade, ancestralidade e um lugar para chamar de lar. Por “Karen Christine” celebrante

No Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, Gabi e Raquel celebraram não apenas o casamento, mas a potência de um amor construído com calma, liberdade, parceria e a força de tantas mulheres que vieram antes delas.

WhatsApp Image 2026 08 31 at 17.39.55 (4)

Existem encontros que começam sem grandes expectativas e, quase silenciosamente, se transformam em uma vida inteira.

Foi assim com Gabi e Raquel.

Quando começaram a conversar pelo Tinder, Gabi não imaginava que aquelas mensagens pudessem se transformar em uma história tão profunda. Naquele momento, ela queria apenas viver bons momentos, sem necessariamente criar expectativas ou fazer planos para o futuro.

Mas o amor, muitas vezes, chega justamente quando não estamos procurando por ele.

E Raquel chegou.

Ou, como a própria história delas gosta de lembrar, chegou acompanhada de uma frase que se tornaria inesquecível.

“Como você é pequena!”

Foram essas as primeiras palavras de Raquel para Gabi quando finalmente se encontraram. Uma observação simples, espontânea e até divertida, que deu início a uma caminhada que, dois anos e seis meses depois, levaria as duas até o altar.

O primeiro encontro aconteceu em uma segunda-feira de Carnaval, em 2024. Depois vieram os passeios pelo ParkShopping, as idas ao cinema, as conversas e uma afinidade que crescia de maneira natural.

Aos poucos, aquela sensação inicial — quase inexplicável — começou a se transformar em certeza.

Um amor que não teve pressa

A história de Gabi e Raquel não precisou de um roteiro tradicional.

Não houve a necessidade de um pedido formal de namoro ou de grandes marcos para validar aquilo que já estava acontecendo entre elas. O relacionamento simplesmente floresceu.

Seis meses depois, começaram a construir uma vida juntas.

E, nessa vida, vieram também os gatos, a casa, os hábitos compartilhados e o aprendizado diário de transformar quatro paredes em um verdadeiro lar.

Porque construir um relacionamento, para elas, nunca foi apenas sobre estar juntas.

Foi sobre escolher permanecer.

Foi sobre compreender que amor também é diálogo, respeito, parceria e a disposição de continuar segurando a mão da outra mesmo quando o caminho se torna mais difícil.

Raquel encontrou em Gabi amor, segurança e a esperança de uma vida longa ao lado de alguém.

Gabi, por sua vez, encontrou em Raquel um amor sem pressa. Um amor calmo.

Um amor que trazia a sensação de caminhar sobre as águas, confiando que, mesmo quando o mar se agitasse, elas estariam juntas.

O pedido sob um céu estrelado

Se o primeiro encontro aconteceu de maneira despretensiosa, o pedido de casamento foi cuidadosamente preparado.

No dia 25 de janeiro de 2025, sob um belo céu estrelado de Brasília, Raquel decidiu transformar um momento de contemplação em uma das memórias mais importantes da história das duas.

Uma cabana.

Uma banheira.

A natureza ao redor.

O céu estrelado.

E, diante de tudo aquilo, um pedido de casamento.

Para Gabi, foi um daqueles momentos capazes de suspender o tempo.

Ela lembra de ter ficado completamente incrédula e, ao mesmo tempo, tomada por uma alegria e um entusiasmo imensos.

A mulher que, no primeiro encontro, parecia tão séria e até mesmo uma grande avaliadora, agora estava diante da certeza de que havia encontrado alguém capaz de despertar nela aquilo que antes acreditava não estar pronta para oferecer: a completa disponibilidade para se entregar ao amor.

Um casamento no Dia da Visibilidade Lésbica

No dia 29 de agosto, data escolhida para a celebração, Gabi e Raquel viveram um casamento profundamente simbólico.

A cerimônia aconteceu carregada de espiritualidade, ancestralidade e conexão com a natureza.

Diante da força de Oxum e cercadas por pessoas fundamentais em suas trajetórias, elas celebraram não apenas a união de duas mulheres, mas também a liberdade de viver e manifestar todas as formas de amar.

A escolha da data tornou o momento ainda mais potente.

Celebrar um casamento entre duas mulheres no Dia da Visibilidade Lésbica é, por si só, um gesto de amor e existência.

É reconhecer que, antes delas, muitas outras mulheres enfrentaram preconceitos, silenciamentos e batalhas para que hoje histórias como a de Gabi e Raquel pudessem ser vividas à luz do dia, diante da família, dos amigos e de um altar.

A cerimônia, portanto, foi também uma homenagem a essa ancestralidade.

Àquelas que vieram antes.

Àquelas que abriram caminhos.

E àquelas que, com coragem, permitiram que novas gerações pudessem amar com mais liberdade.

Os cinco elementos que sustentam o amor

WhatsApp Image 2026 08 31 at 17.39.55 (1)

Um dos momentos mais especiais da cerimônia foi o ritual inspirado nas forças da natureza.

A união de Gabi e Raquel foi simbolicamente sustentada por cinco elementos, apresentados como pilares para a vida a duas.

A Terra representou a base sólida, a estabilidade, a segurança e a conexão com o lar — o alicerce onde aquela família continuará crescendo.

A Água trouxe a fluidez do amor, as emoções, a intuição, a capacidade de adaptação e a limpeza emocional necessária para seguir caminhando juntas.

O Ar simbolizou a comunicação clara, a liberdade, a verdade e a troca de ideias — o sopro capaz de renovar constantemente uma relação.

O Fogo representou a paixão, a coragem, a transformação e a energia vital que mantém o amor aceso e vibrante.

E, finalmente, o quinto elemento.

O Amor.

O elemento capaz de unir todos os outros.

Aquele que seria declarado nos votos e selado na troca das alianças.

“Eu te amo, porque amo a mim também”

Na troca das alianças, uma frase sintetizou de forma poderosa a essência daquela união:

“Eu te amo, porque amo a mim também. Me sinto livre e comprometida a te amar, proporcionando o seu crescimento e o meu.”

Talvez seja justamente aí que esteja uma das maiores belezas da história de Gabi e Raquel.

O amor delas não fala sobre prisão.

Não fala sobre pertencimento.

Não fala sobre a obrigação de permanecer.

Fala sobre liberdade.

Sobre duas mulheres inteiras que escolheram construir um “nós”, sem deixar de ser quem são individualmente.

Um amor que entende que amar alguém também é desejar seu crescimento.

É oferecer acolhimento.

É saber conversar.

É lutar nos dias difíceis, buscar abrigo nas tempestades e oferecer abraço quando as lágrimas chegarem.

A liberdade de amar

Ao final da cerimônia, entre bênçãos, ancestralidade, emoção e celebração, ficou uma mensagem que atravessou todo o casamento de Gabi e Raquel:

Nunca permitam que ninguém lhes diga como amar.

Porque, depois de um encontro iniciado com uma frase inesperada sobre alguns centímetros de diferença de altura, nasceu uma história capaz de reunir universos, famílias, amigos e diferentes trajetórias em torno de uma única constante.

O amor.

Hoje, Gabi e Raquel seguem construindo uma vida compartilhada.

Com seus gatos.

Com sua espiritualidade.

Com momentos tranquilos.

Com mergulhos, conversas, diferenças e afinidades.

Com a escolha diária de permanecer.

Talvez o verdadeiro significado de “encontrei o amor da minha vida e para a minha vida” esteja justamente aí: encontrar alguém com quem seja possível dividir não apenas os grandes acontecimentos, mas também os dias comuns.

Alguém com quem uma casa se transforma em lar.

Alguém que, mesmo quando o mar se agita, continua segurando sua mão.

E alguém que, na maturidade do amor, ensina que voar não significa necessariamente correr.

Às vezes, voar é simplesmente caminhar tranquilamente ao lado de quem nos faz sentir verdadeiramente livres.

No dia 29 de agosto, Gabi e Raquel disseram “sim”.

Sim para o amor.

Sim para a liberdade.

Sim para a história que construíram.

Sim para a ancestralidade que abriu caminhos.

E, principalmente, sim para uma vida inteira de novas celebrações.

Porque, depois da festa, depois do altar e depois do beijo que confirmou oficialmente que agora estavam casadas, começava aquilo que talvez seja a maior celebração de todas:

a oportunidade de, todos os dias, escolherem uma à outra novamente.

Karen é uma celebrante que nos encanta com seus textos inspiradores e sua sensibilidade ao contar histórias. Uma grande apoiadora da comunidade LGBTQIA+, a quem deixamos nosso sincero agradecimento por toda a parceria e colaboração com o Guia do Casamento Gay.

Igs dos demais fonecedores e casal:

Casal @gablurodrigues e @raquel_mesquita_
Local @cachoeirapocoencantado
Cerimonial e decoração @victorfcorrea
Celebrante @karenchristinecelebrante
Fotografia @mayarasenisefotografia
Make @raquelangel_
Filmagem @zakzakfilmes
Vestimentas @sposare_atelie
Banda @bandamariateimosa
Buffet @buffetdapizzaquadradaoficial
Doces e bem casado @dulccecake @amandacostadoces

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima