
Estava preparando o meu casamento com o Ricardo e quando chegou na época de ver doces e bem casados, mamãe (Nanda) falou que faria a mesa de doces (algo nem tão conhecido na época). No início eu recusei, porque queria que ela curtisse o casamento e não que ficasse trabalhando para isso. Mas logo percebi que nada ficaria tão bom como os doces dela.
Sozinha ela produziu 2100 doces para a mesa de doces e 1200 trufas para as lembrancinhas dos 300 convidados.
Lembro que cheguei às 8h da manhã na casa da mamãe para ajudar a colocar os docinhos nas forminhas especiais junto com minha avó, eram tantos doces, que eu nem imaginava, fomos colocando os doces nas forminhas e nas caixas e paramos rapidamente para tomar um lanche e continuar a embalar. Terminamos à 1h da manhã do dia seguinte, estava tão emocionada com tudo aquilo que quando cheguei em casa e fui tomar meu banho, eu chorava de tanta emoção e gratidão por tanto amor e dedicação.
Parece que lembrando dessa sensação hoje, tudo aconteceu no tempo certo, com a benção de Deus. A Dolce Nanda renascia mais uma vez, em meio a emoção e acontecimentos de uma nova etapa.
Por mais algum tempo continuei na empresa que trabalhava, mas diante de tanto estresse emocional e desgaste físico, solicitei minha demissão e comecei a ver tudo o que podia ajudar na confecção dos doces produzidos pela mamãe.
Comecei a estudar, junto com meu esposo, o ramo de atividade e percebi que era de grande procura e muito atrativo. Vimos que o diferencial seria apresentar personalidade no produto oferecido, realmente a maior dificuldade que encontramos quando queríamos algo diferente para o nosso casamento. Tudo é muito igual ou parecido, e vimos que o caminho seria ter produtos sempre de qualidade, mas com sabores, texturas e formatos diferenciados, sendo personalizado para aquele cliente específico, ou seja, nunca, nenhum evento dentro da Dolce Nanda seria totalmente parecido com outro. Sempre existirá um elemento diferenciado em cada evento.
A partir desse estudo, comecei, com minha influência em Artes Plásticas, a repaginar todas as aparências das receitas realizadas pela mamãe. Mudei totalmente a forma de apresentação. Para esse ramo, os doces não podem ser apenas gostosos, eles tem que ser deslumbrantes, atrativos, despertar desejos. E o processo criativo iniciou e não parou nunca mais.
Comecei a me matricular em todos os cursos de doces finos que apareciam. Perdi a conta de quantos fiz e de tudo que aprendi.
Em abril de 2014, o CNPJ da empresa foi criado e a partir de lá, adotamos realmente a postura que o amadorismo não poderia mais existir.
Ao poucos transformamos tudo, maneira de trabalho, contratos, planilhas, compras diretamente com fornecedores, pesquisa de mercado, parcerias, enfim, fomos passo a passo conhecendo melhor o caminho a seguir.
Sinto-me honrada em hoje poder desenvolver minhas próprias criações de doces finos, de minha própria autoria, sempre com algum detalhe que aprendi com minha melhor professora, que me ensinou a viver e a amar a cozinha, honrarei muito e sempre minha mãe.
Hoje, após 10 anos, muitos me perguntam, porque não troco o nome da empresa para Drica Duarte, já que estou a frente de tudo, já que eu sou a empresa, para dessa maneira acabar com a confusão de ser chamada de Nanda por 90% dos clientes.
Respondo que não tenho interesse nisso, pois o legado, a honra e o orgulho que tenho de minha mãe, fazem parte de cada pedaço do Ateliê Dolce Nanda e está tudo bem o nome ser dela e a cara ser minha, pois somos o complemento, uma da outra.
Ela é minha base, como negar tudo isso?
Essa é a grande magia que a família Dolce Nanda carrega para a criação, produção e montagem dos doces finos.
É a magia que percebi quando fui noiva, a emoção de ter tudo do jeito que sonhei, tudo lindo, maravilhoso, pronto, superando minhas expectativas e que hoje a família Dolce Nanda causa essa mesma sensação e emoção em todos os clientes que nos honram nos escolhendo para adoçarmos o tão sonhado
evento.
Hoje, olhando para trás, vejo que sempre fui cercada pela confeitaria, mas não enxergava esse caminho como profissão, não sei bem explicar o “Por que?”.
Talvez por acreditar que carteira assinada valesse mais que um Dom, um Talento. Na verdade, acho que eu andava por caminhos que os outros me conduziram sem eu perceber, e quando acordei, na verdade me encontrei através das linhas tortas de Deus, percebi que chegar até aqui, não foi fácil, mas que daqui pra frente, o caminho será de dedicação, amor, autoridade no que faço e sucesso.






