Nosso primeiro encontro foi em uma lanchonete duvidosa: batata frita murcha, ketchup rosa e um metrô de São Paulo mais lotado que o feed no Dia dos Namorados. Nada prometia, mas aí veio o sorriso dele. Um sorrisão tão grande que eu fiquei na dúvida: será que era pra mim… ou ele é sempre assim?

D foi uma mistura de déjà vu com presença marcante. Daquelas pessoas que você sente que já conhece, mas ao mesmo tempo parece um enigma do algoritmo. Conversa sincera, palavra gentil, sempre pronto pra ouvir — tipo terapeuta não pago, mas com muito mais charme.
No meio das nossas trocas, percebi nele uma simplicidade rara, uma generosidade que hoje anda em extinção. Aos poucos, D foi me envolvendo. E, olha, que alma linda ele tem. No sorriso, na doçura do olhar, na alegria quase infantil de viver.
Com ele, eu reaprendi a ver poesia nos cafés da manhã, a sentir carinho em bilhetes escritos às pressas, a encontrar paz nos abraços longos. E, principalmente, a viver o hoje, sem pressão de para sempre. Estar presente no presente — e isso já basta.
Três meses depois, temos rituais que viraram tradição: domingos são oficialmente nossos (finalmente deixaram de ser o dia mais triste da semana). Entre risadas, debates sobre refrigerante, frutas e o drama do trabalho, vamos costurando planos: viagens curtas, manhãs longas e o simples desejo de estar juntos.
É leve, é verdadeiro, é bonito. Não sei se é o “para sempre”, mas sei que é um feliz agora.
🧾 Ficha técnica de D (a versão zen & sexy):
✔️ Cabelo de anjo que faria inveja em comercial de shampoo
✔️ Corpo de menino, alma de mestre do Himalaia
✔️ Sorriso que transforma lanchonete de quinta em restaurante cinco estrelas
✔️ Papo que vai de refrigerante a filosofia, sem perder o humor
✔️ Presença que devolveu aos meus domingos o título de “melhor dia da semana”
Se amar é um campo de batalha, D foi o meu cessar-fogo mais bonito.
Nota Final do Editor;
Este texto foi escrito há algum tempo e demorou para ver a luz do dia. Talvez porque D tenha sido, ao mesmo tempo, a minha maior alegria e a minha maior decepção. Sem entrar em detalhes, éramos dois corações machucados por amores antigos e pelas marcas da vida, tentando — cada um à sua maneira — fazer o melhor que conseguia naquele momento.
Ainda assim, D segue sendo uma referência bonita na minha história. Como ser humano, como presença, como alguém lindo por dentro, paciente e vencedor. Ele terá sempre um lugar especial nas minhas memórias, porque nem todo encontro que não fica precisa ser apagado — alguns existem para ensinar, expandir e preparar.
Encerrar este capítulo é também encerrar um projeto que nasceu da curiosidade, da coragem e da vulnerabilidade. Dez encontros, dez histórias, dez corações que tive o privilégio de conhecer e transformar em palavras. Sou profundamente grato a cada um deles. Desejo, de verdade, que todos encontrem o amor que merecem — seja em outra pessoa, em si mesmos ou na vida que escolherem construir.
E quanto a mim… sigo.
Com mais consciência, menos idealização e um coração que aprendeu que nem todo “feliz agora” precisa virar “para sempre” para ter valido a pena.
Daqui a pouco, volto para contar o que ficou, o que mudou e o que esses 10 dates realmente deixaram em mim. Porque algumas histórias só revelam seu sentido completo quando o tempo faz o seu trabalho.

