W apareceu no Tinder como quem chega de mansinho no último minuto do segundo tempo — bem no Dia dos Namorados.
E quando eu já tava quase desligando o celular, pronto pra abraçar a solidão com uma playlist de sofrência, ele chegou: mensagem boa, papo fácil, música da Marília Mendonça enviada com intenção.
Aquela sobre um amor brega, intenso, do jeito que eu gosto de fingir que evito.

A conexão foi rápida. Daquelas que a gente sente na barriga.
E no sábado, a gente já tava sentado frente a frente, num rodízio de petiscos e vinho — como quem tenta alimentar o corpo e o coração de uma vez só.
Ele exagerou. E como exagerou.
W comeu como se o apocalipse viesse amanhã.
Eu só observava, rindo por dentro e por fora, pensando:
“Se for assim na vida, vai me devorar até a alma. E eu deixo.”
Falamos de tudo: das dores da vida, dos ex que marcaram, das promessas que não se cumpriram, e dos sonhos que ainda queremos viver.
Ele, com aquele ar pisciano de quem sente o mundo como se tivesse nascido pra sofrer por amor.
E eu, já meio entregue, já meio encantado.
Depois do jantar, começou a missão do petit gâteau.
Sim, ele queria A sobremesa.
Andamos pelas ruas dos Jardins feito dois adolescentes atrás de um capricho doce.
Entramos em um, dois, três lugares — nada.
Até que encontramos um restaurante badalado que tinha um suflê de doce de leite. Não era o que ele queria… mas, no fim, era perfeito.
Sabe aquele momento em que você percebe que o encontro se transformou em algo mais?
Foi ali. Entre o “não era isso” e o “mas tá ótimo assim”.
A gente se beijou. No meio da rua. Com pressa e calma ao mesmo tempo.
E o beijo…
Foi êxtase puro.
Beijo de perder a roupa. De pensar besteira. De querer esquecer do mundo.
Beijo que dava vontade de puxar pro banheiro e cometer pequenas loucuras com o consentimento do universo.
Mas ele não puxou.
Ele abraçou.
E nesse abraço, eu encontrei paz.
Foi como se o tempo parasse só pra me dizer: “você tá seguro aqui.”
No fim da noite, mãos dadas até o metrô.
Como dois personagens de um filme que ninguém escreveu, mas todo mundo torceria pra dar certo.
Na plataforma, uma despedida longa.
Silenciosa.
Com promessas não ditas, mas desejadas.
E aquele olhar dele… pequeno, brilhante, apaixonado.
Que não precisava dizer nada, porque já dizia tudo.
E se esse encontro virar só memória, já valeu.
Mas se for começo, que seja daquele tipo de começo que a gente conta com brilho nos olhos.
E se eu esquecer de tudo, pelo menos nunca vou esquecer que ele tem um pijama de dinossauro e ainda assim me fez pensar em casamento.
🧾 Ficha técnica de W
• Pisciano raiz: sente demais, come demais, ama demais ✔️
• Beijo: 1000/10 e perigoso pra quem tem pouca estabilidade emocional ✔️
• Abraço com cheiro de lar ✔️
• Riso escancarado, especialmente ao confundir o garçom com o Naldo ✔️
• Pijama de dinossauro e ainda assim irresistível ✔️
• Melhor companhia para caçar sobremesas e acabar encontrando o inesperado ✔️
• Melhor date de uma vida inteira ✔️

