Y apareceu como quem não devia, mas foi impossível ignorar. Um match improvável, quase acidental — tipo encontrar dinheiro no bolso de uma calça velha ou uma alma gêmea no meio do caos da Parada LGBT+ de São Paulo.

A conversa começou com um elogio físico, porque, sinceramente? Seria pecado não comentar. A beleza dele grita em caixa alta, sublinhado, negrito e ainda com uma estrelinha do lado. Mas Y não é só bonito — ele tem aquele tipo raro de presença que te faz parar e pensar: “Gente, tem alguém jogando esse jogo da vida no modo avançado e com skin angelical desbloqueada.”
Y é um homem-prece. Daqueles que dá vontade de agradecer antes mesmo do primeiro beijo. Gentil sem ser forçado. Educado sem parecer um texto de IA. Genuíno de um jeito que faz a gente lembrar que Deus caprichou em algumas almas. Sim, eu falei Deus. Porque teve coisa divina nesse encontro, e eu sou fofoqueiro, mas sou crente também.
Era domingo de Parada. Eu tava no meio da bagunça linda da Avenida Paulista, trabalhando, reencontrando casais que já passaram pelo Guia — um turbilhão de amor, glitter e abraços. E lá pelas 12h, recebo um bom dia dele no Tinder, com número de WhatsApp e tudo. Jogou o verde, e eu colhi logo o cacho inteiro:
— “Tô aqui na frente do MASP… vem me dar um oi, baby?”
Ele respondeu sem jogo, sem orgulho, sem demora:
— “Vou sim!”
(A partir daqui, o roteiro vira quase um drama.)
Esperei meia hora. Meia hora virou quarenta minutos. Meus pés começaram a doer como se eu tivesse fugido da Sapucaí até o Jalapão. Já tava indo embora, com a alma em greve e o tornozelo pedindo arrego, quando recebo a localização dele. Ele tava a uns 750 metros. Só que na Parada, 750 metros equivalem a atravessar Mordor, com multidão, trio elétrico e gente gritando “eu que lute”.
A gente trocou localização umas sete vezes, ele andou algumas quadras, eu voltei outras. E quando tudo parecia se perder, pedi:
— “Levanta os braços aí pra eu te achar!”
E ele levantou.
Foi tipo farol em noite de neblina. Virei o rosto e lá estava ele. Com o sorriso mais lindo do mundo e aquele brilho no olhar de quem já morava em algum lugar da minha esperança. A gente se beijou ali, no meio da multidão, como se a Paulista tivesse sido alugada só pra gente. Eu juro: foi tão cinematográfico que a trilha sonora poderia ser “I Say a Little Prayer” em versão acústica, com slow motion e filtro retrô.
Y é ariano com ascendente em “me leva pra casa agora”. Tem 34 anos, gominhos que desafiam a gravidade e uma energia que mistura colo, calor e caos na medida certa. O tipo de homem que não dá pra catalogar em um checklist de qualidades. Ele é camadas. E eu sou curioso.
O beijo foi só o começo. A vontade é de mais. De novo. De sempre.
Esse é o penúltimo date do projeto “dez dates e um possível amor”. Mas com Y, talvez o projeto precise ser renomeado pra “um date, um amor e o resto da vida”.
Porque sinceramente? Se o universo tiver o mínimo de bom senso…
Y não vai ser só um capítulo.
Vai ser o livro inteiro.
🌈 E se ele quiser, eu edito, diagramo, coloco capa dura e ainda vendo na pré-venda com brinde e marcador de página
🧾 Ficha técnica de Y
• Príncipe de ébano com sorriso capaz de interromper o trânsito da Paulista ✔️
• A energia de um ariano que não pede permissão, só chega e acontece ✔️
• Corpo de academia, alma de terapia e olhar que cura ansiedade ✔️
• Beijo com efeito colateral: taquicardia emocional e lapsos de lucidez ✔️
• Gentileza rara, tipo espécime em extinção ✔️
• Capaz de transformar o caos da Parada em refúgio ✔️
• Risada de quem entende que o amor é coisa séria e brincadeira ao mesmo tempo ✔️
• Se disser “vem”, eu vou — mesmo que seja pra atravessar Mordor de glitter ✔️
• Potencial de upgrade imediato do projeto pra “um date e o resto da vida” ✔️

