🍿 Date 5 – O ariano, a premonição sangrenta e o abismo bonito demais pra ignorar.

Chegamos à metade do experimento amoroso feito por conta própria e sem um centavo do governo. Será que ainda dá tempo de um patrocinador entrar e financiar meu emocional?

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J é ariano — o segundo da lista. E sinceramente, ou o universo está me pregando uma peça, ou os arianos estão tão perdidos quanto os piscianos. Mas J… ah, J é diferente. Óculos charmosos, cabelo preto de protagonista de série boa, sorriso que parece ter sido feito só pra aliviar dias pesados. Um charme tranquilo que engana: parece calmo, mas tem um furacão por dentro.

Ele tem 37 anos e carrega três companheiros invisíveis: TDAH, TOC e dispraxia. E olha… não é drama, é só vida mesmo. Ele fala disso com uma leveza bonita, do tipo que não quer piedade, só compreensão. E talvez seja isso que me pegou: ele não quer que ninguém o conserte — ele quer ser visto. E eu, que sou especialista em olhar fundo, vi.

A gente se conheceu em um dia e no outro já estava em date. O rolê? O pior shopping da cidade. Ar triste, restaurante com 3 estrelas negativas no Google, mas mesmo assim a vibe foi gostosa. Ele contou histórias incríveis: de ex-namorados americanos a micro-relacionamentos abusivos. Tudo com um cuidado nas palavras que me fez querer ouvir mais — e também proteger. Um pouco.

Conversamos sobre tudo: política, arte, cidade grande, tragédias da semana. Em alguns momentos ele se perdia no próprio raciocínio, se embolava entre ideias, batia a mão sem querer, ria de si mesmo. E eu? Eu achei isso lindo. Porque mesmo com todos os ruídos internos, ele ainda tenta se conectar. E consegue.

Do nada, ideia de cinema. Um repeteco do Date 3, mas dessa vez com upgrade: ele ama terror. Fomos de Premonição — porque nada mais romântico que assistir pessoas quase morrendo enquanto a gente tenta não se apaixonar.

Antes do filme começar, rolaram beijos apaixonados, daqueles com pegada, mas com respeito. Uma química que esquentava sem pressa. E aí veio o convite:

— “Quer dormir lá em casa?”

Eu respirei.
Porque poderia ser só desejo, mas também parecia vontade de não ficar sozinho naquela noite.
Respondi:
— “A gente pode repetir esse encontro. E depois, quem sabe.”

O filme acabou previsível. Mas o date foi tudo, menos isso. No fim, um abraço apertado, uma mensagem carinhosa depois, e aquele gostinho de que a gente podia se encontrar no meio do caos. Literalmente.

Ficha técnica de J (versão “bagunçado e brilhante”):
Beijo intenso com final aberto ✔️
Coração grande e um pouco desalinhado, tipo arte moderna ✔️
Transtornos, sim — mas nenhum deles impede de ser um ótimo date ✔️
Um olhar que diz “me entenda” antes mesmo de pedir ✔️
E uma coragem linda de quem tenta, mesmo com o mundo tropeçando dentro da cabeça ✔️

Date: 10 de 10.
Se ele me convidar de novo, eu vou.
Porque J não é paisagem pra admirar de longe.
Ele é abismo.
Do tipo bonito, perigoso e que talvez — só talvez — valha a queda

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